O Café Montanha, de Manuel Nunes Ribeiro Montanha, situado na Rua dos Sapateiros (conhecida por Rua do Arco do Bandeira), número 152, gaveto com a Rua de Assunção números 74 - 80, inaugurado em 1864 e encerrado em 1952, veio ocupar o espaço que anteriormente tinha sido do Café Minerva das Sete Portas, que tinha sido fundado no início do séc. XIX e encerrou portas em 1827. Foi este café, palco de algumas das mais importantes reuniões do grupo do Orpheu. Aliás, foi ai que, em Fevereiro de 1915, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e Luís de Montalvor começaram a discutir a possibilidade de publicarem uma revista trimestral que, como referiu Boscaglia, “viria a ser o próprio Orpheu“.
O Café Montanha, 1910-20, foto de Alberto Carlos Lima. in a.f. C.M.L.
in "Serões": revista mensal ilustrada, N.º 53 (Nov. 1909)
"O templo é um dos monumentos celebres da capital, porque n'elle prégou S. Francisco de Borja, o famoso padre Vieira e outros varões doutos; porque n'elle está a preciosissíma capella mandada vir de Roma por el-rei D. João V; pela singularidade do tecto da egreja, e finalmente por se achar alli estabelecida, desde a extincção da companhia de Jesus, a Santa casa da misericordia de Lisboa. No principio do reinado de D. Manuel, ardendo esta cidade em peste, mandou este soberano pedir á senhoria de Veneza, omde está o corpo de S. Roque, alguma reliquia do celeste advogado contra tão horrivel mal. Deferiu aquelle senado a petição do rei de Portugal, e vieram as reliquias, que foram recebidas por elle, pela corte e pelo povo, com grande devoção e solemnidade. Tratou-se logo (diz o chronista da Companhia) de edificar uma ermida da mesma invocação do santo, para n'ella se collocar tão precioso thesouro, e para acudirem áquelle logar os devotos do santo, e se valerem da sua intercessão. O sitio que se escolheu foi um campo ou monte que estava fóra dos muros da cidade, e cae para a parte de oeste, segundo o rumo em que está lançada a cidade de Lisboa. Estava n'aquelle tempo o monte coroado á roda de copiosas e formosas oliveiras. N'este grande campo havia um logar no qual estava o adro e cemiterio em que se enterravam os que morriam de peste, N'este logar trataram de edificar a ermida ao novo padroeiro que tomavam para a peste. De uma pedra que está sobre a porta da sacristia da irmandade de S. Roque consta haver-se começado esta ermida na era de 1506." in "Archivo pittoresco : semanario illustrado", 5.º Ano, n.º 37, 1862
Igreja de São Roque, s/d, foto de Eduardo Portugal, in a.f. C.M.L.
Igreja de São Roque, perspectiva sobre a capela-mor, anos 50 séc. XX, foto de António Castelo Branco, in a.f. C.M.L.
Igreja de São Roque, interior, anos 50 séc. XX, foto de António Castelo Branco, in a.f. C.M.L.
Igreja de São Roque, interior. A capela lateral é da invocação de São Roque, s/d, foto de Alberto Carlos Lima, in a.f. C.M.L.
Igreja de São Roque, capela de São João Baptista, s/d, foto de Alberto Carlos Lima, in a.f. C.M.L.
Igreja de São Roque, capela das Onze Mil Virgens, s/d, foto de Alberto Carlos Lima, in a.f. C.M.L.
"Foi fundado este mosteiro pela rainha O. Leonor, mulher del-rei D. João II, e irmã del-rei D. Manuel. Teve principio em 1508 em umas casas e horta chamada das Conchas, que foram então compradas a Alvaro da Cunha. Sendo mui circunscripto o primeiro plano das obras, no decurso do armo seguinte achou-se o convento em circunstancias de ser habitado pelas freiras franciscanas da primeira regra de Santa Clara, que a rainha D. Leonor mandou vir do convento de Jesus de Setubal. Depois foi a mesma fundadora ampliando o edificio, e construiu-lhe nova egreja, que não chegou a ver concluída, pois quando morreu faltava-lhe a capella-mór. Foi feita esta por seu sobrinho, el-rei D. João III; e como a esse tempo se tivesse operado a transição da architectura gothica para a classica, ou do renascimento das artes, fez-se o mesmo que na egreja de Belem: construiu-se a capella-mór segundo o gosto da moda, sem se importarem com o estilo do resto do templo. O terremoto de 1755 causou alguma ruina a este edifício, que foi logo reparada, mas, já se sabe, sem attenção á conservação das antigas feições. A porta principal e janellas do corpo da egreja foram feitas de novo, perdendo na reedificação as galas do estilo gothico. A egreja é pequena, mas muito bonita e aceiada. E rica em obras de talha doirada, que se presume ser trabalho de um excellente esculptor, que, n'essa epocha, vivia em Lisboa, chamado Braz Mascarenhas. . Adornam os altares e paredes do templo varios quadros pintados pelos artistas nacionaes, Bento Coelho da Silveira, que floreceu no seculo XVII, e André Gonçalves, que morreu em 1762, de cujo pincel é o quadro da Gloria sobre a capella-mór. A rainha D. Leonor fundou, contíguo a este mosteiro, um palacio para sua habitação, com serventia para o convento, e no qual viveu os seus ultimos annos. Era denominado Paço de Enxobregas, por estar situado no valle d'este nome, agora chamado de Xabregas. Este palacio, reconstruido no seculo passado, pertence hoje ao sr. marquez de Niza." in "Archivo pittoresco : semanario illustrado", 5.º Ano, n.º 42, 1862
Já no século XX, foi adaptado a Museu do Azulejo, depois de um restauro na década de 30.
Convento da Madre de Deus, foto de Estúdios Mário Novais
Convento da Madre de Deus, fachada principal, anos 50, foto de Abreu Nunes
Igreja da Madre de Deus, fachada principal com portal manuelino, início séc. XX, foto de Alberto Carlos Lima, in a.f. C.M.L.
Igreja da Madre de Deus, interior, anos 30, foto de Alexandre Cunha, in a.f. C.M.L.
Igreja da Madre de Deus, coro, anos 50, foto de António Castelo Branco, in a.f. C.M.L.
Igreja da Madre de Deus, interior, anos 50, foto de António Castelo Branco, in a.f. C.M.L.
Igreja da Madre de Deus, interior, anos 50, foto de António Castelo Branco, in a.f. C.M.L.
Igreja da Madre de Deus, púlpito, anos 50, foto de António Castelo Branco, in a.f. C.M.L.
Convento da Madre de Deus, claustro, anos 50, foto de António Castelo Branco, in a.f. C.M.L.
Não tenho por hábito tecer comentários sobre assuntos recentes na nossa cidade, mas esta colocação de um "gigantesco Galo de Barcelos" em plena Ribeira das Naus, leva-me a parafrasear um amigo:
"Fontes geralmente mal informadas acrescentaram os planos para um futuro próximo incluem uns Jerónimos em Sagres, uma Cabra em Barcelos e uns Clérigos em Beja. O Templo de Diana foi excluído por se tratar de paganismo romano." Passado este breve momento de ironia, lembro-me de há muitos anos quando por motivo de trabalho me deslocava ao estrangeiro, os poucos produtos promocionais de Portugal que se viam eram precisamente; os malfadados Galos de Barcelos. À"ilustre Artista", dedicada agora à reprodução de trabalhos em barro, só se pede para não se lembrar da Loiça tradicional das Caldas.
Não são de hoje os problemas que afligem o Conservatório Nacional, já em 1839, três anos após ter sido nomeado por D. Maria II para dirigir o Conservatório Real de Lisboa, o próprio escrevia "sobre a necessidade de se proceder a reparações no edifício do Conservatório de Lisboa". O manuscrito assinado por Garrett, não é contudo esclarecedor quanto ao destinatário.
Conservatório Nacional,1959, foto de Fernando Manuel de Jesus Matias, in a.f C.M.L.
Em 1671 D. Luisa de Távora, viúva do morgado de Oliveira e comendadeira de Santiago no mosteiro de Santos-o-Novo, onde se encontrava, e desejando um edifício mais recatado e propício aos exercícios espirituais, decide edificar um convento nuns edifícios que tinha, e onde se encontrava um recolhimento de mulheres, com uma igreja de invocação de Nossa Senhora da Conceição; a fundadora institui uma renda anual de 600$000 para o novo convento e doa uns terrenos que possuia no sítio dos Cardais. Em 1677, começam as obras de aproveitamento e construção dos prédios, nas quais D. Luísa de Távora gastou parte considerável da sua fortuna; as obras ainda não se encontravam concluídas, mas as primeiras religiosas estabelecem-se no convento; eram oriundas dos conventos carmelitas de Aveiro, de Santo Alberto de Lisboa e de Santa Teresa de Jesus de Carnide, neste mesmo ano saiu um despacho e alvará régio que autorizava que o "recolhimento da Conceição fosse convento das religiosas prefessas Carmelitas Descalças". Em 1876, com a morte da última religiosa, o Estado toma conta do convento, com todos os seus bens móveis. A pedido da fundadora da Associação de Nossa Senhora dos Aflitos para que lhe fosse concedido o convento para nele instalarem o asilo das cegas, em 1877, aí foi instalada a Associação de Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos. Em 1878, o asilo para cegas é inaugurado depois de obras consideráveis na sua reedificação e na colocação de canalização de água e gás. A direcção do asilo é entregue às Irmãs Terceiras Dominicanas. A 22 julho de 1893, o Diário do Governo, publica a cedência definitiva do antigo edifício conventual ao asilo de cegas.
Convento dos Cardais, 1945, foto de J.C.Alvarez, in a.f. C.M.L.
Atlas da carta topográfica de Lisboa, nº 35, 1856, de Filipe Folque, in A.M.L.
Capela do convento de Nossa Senhora da Conceição dos Cardais,ant. a 1945, foto de José Arthur Leitão Bárcia, in a.f. C.M.L.
Asilo de cegos, dormitório,ant. a 1945, foto de José Arthur Leitão Bárcia, in a.f. C.M.L.
Asilo de cegos, sala de atividades,ant. a 1945, foto de José Arthur Leitão Bárcia, in a.f. C.M.L.
Asilo de cegos, sala de trabalhos oficinais,ant. a 1945, foto de José Arthur Leitão Bárcia, in a.f. C.M.L.
Convento dos Cardais, imagem de Nossa Senhora dos Aflitos. Altar lateral da igreja,ant. a 1945, foto de José Arthur Leitão Bárcia, in a.f. C.M.L.
Convento dos Cardais, altar lateral da igreja,ant. a 1945, foto de José Arthur Leitão Bárcia, in a.f. C.M.L.
Convento dos Cardais, início séc. XX, foto de Joshua Benoliel, in a.f. C.M.L.
Convento dos Cardais, 1968, foto de Armando Serôdio, in a.f. C.M.L.
Os terrenos agrícolas bem cuidados, que se vêem nesta imagem, ( identificados na planta de Alberto de Sá Correia, como Quinta do Desembargador ), não nos lembrariam no imediato a Avenida Infante Santo, mas é um facto. Hoje em dia, nestes mesmos campos corre uma moderna avenida, rasgada no final dos anos 40 início dos anos 50 do séc. XX. A rua que vemos mesmo à nossa frente é a Rua Cova da Moura (1), e a torre sineira que se avista no prolongamento desta mesma rua, é a torre da Igreja do Paço das Necessidades. A rua que atravessa a imagem no sentido ascendente era a antiga Rua da Torre da Pólvora (2). Esta rua e a sua envolvente poderão ser melhor observadas aqui num artigo de 2007, de um blogo amigo.
Panorâmica, em frente é a Rua Cova da Moura, s/d, fotógrafo n/i, in a.f.C.M.L.
Planta Topográfica de Lisboa 8 E, 1910, de Alberto de Sá Correia, in A.M.L.
Palácio das Necessidades, s/d, foto de Legado Seixas, in a.f.C.M.L.
Situado na Praça do Duque da Terceira, este hotel, foi frequentado por ilustres figuras e pelo próprio Eça de Queiroz, é um dos cenários privilegiados dos romances queirosianos.
"Entravam então no peristilo do Hotel Central e nesse momento um coupé da Companhia, chegando a largo trote do lado da Rua do Arsenal, veio estacar à porta."
in "Os Maias" de Eça de Queiroz
Coche Real perto do Grand Hotel Central, post. a 1877, foto de Legado Seixas, in a.f. C.M.L.
"E como guiados pelas duas linhas de pontos de gás que desciam a Rua do Alecrim, o seu pensamento, o seu desejo foram logo para o Hotel Central." in "O Primo Basílio" de Eça de Queiroz
Grand Hotel Central, início séc. XX, foto de Joshua Benoliel, in a.f. C.M.L.
"Então outra cousa! exclamou Ega. Para conversarmos, para que vocês se conheçam mais, venham vocês jantar comigo amanhã ao Hotel Central." in "Os Maias" de Eça de Queiroz
Grand Hotel Central, ant. a 1877, foto de Legado Seixas, in a.f. C.M.L.
Continuando no Mosteiro dos Jerónimos, vejamos o acervo de Eduardo Portugal. Reproduções de gravuras, pinturas, mapas, plantas, vistas de Lisboa, mostrando o Mosteiro dos Jerónimos, nas diversas fases de ruínas e reconstrução, em 1874. Cota: POR114530 a POR114718, no a.f. C.M.L.
Entre 1867 e 1878, os cenógrafos italianos do teatro de S. Carlos, Rambois e Cinatti, vão reformular profundamente o anexo e a fachada da igreja, dando ao monumento o aspecto que conhecemos hoje. Vão, assim, demolir a galilé e a sala dos reis, construir os torreões do lado nascente do dormitório, a rosácea do coro-alto e substituir a cobertura piramidal da torre sineira por uma cobertura mitrada. Estas obras sofrem um contratempo quando, em 1878, se dá a derrocada do corpo central do dormitório. A partir de 1884, entra em campo o Eng. Raymundo Valladas que em 1886 inicia o restauro do Claustro e da Sala da Capítulo, com a construção da respectiva abóbada. Para celebrar o IV Centenário da chegada de Vasco da Gama à Índia (1898), decide-se em 1894 concluir as obras de restauro.