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Paixão por Lisboa

Espaço dedicado a memórias desta cidade

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Arco de S. Bento

Em Setembro de 1937, era fixada a zona de expropriações das propriedades de S. Bento, para o desafogo do Palácio da então Assembleia Nacional, com isso, foi ordenado o apeamento do famoso Arco de São Bento.
Palavras de Belo Redondo, jornalista, ao redigir a notícia, no "Diário de Noticias":

"O Arco de S. Bento, irmão mais novo do Arco das Amoreiras, era o complemento da grandiosa obra do aqueduto das Aguas Livres, que, por inspiração magnânima do Senhor D. João V, o brigadeiro Manuel da Maia começou e o sargento-môr Custódio Vieira concluiu. Veio porém, o moderno sistema de canalização e o Arco ficou inútil, como um tropêco ao trânsito, primeiro, e como afronta à magestade do palácio da Assembleia Nacional, depois. Houve que demoli-lo agora, por êstes dois motivos, e todos o viram apear sem saüdades. Não tinha primores de arquitectura que o impusessem, nem tradições, como a desse histórico Arco de Santo André, de que os lisboetas ainda se lembram magoadamente. Nascera em má hora, porque só muitos anos depois de concluído o aqueduto é que os frades de S. Bento consentiram que lhes expropriassem uma parte da sua cêrca para se construir o Arco. E assim, pobre e estreito, tendo dado motivo noutro tempo, a largas discussões e conflitos sôbre a utilidade da sua construção, o Arco desapareceu agora, anónimamente, como empecilho ao progresso. Já nada resta dele.
A Câmara cuidou de numerar escrupulosamente as peças que constituíam, para o erguer novamente um dia. Mas onde? Ele era o mais singelo dos monumentos erguidos à glória de D. João V - e o rei perdulário tem ainda tantos e tam valiosos que é muito natural que o Arco de S. Bento nunca mais venha a ser lembrado. As suas pedras ficarão nalguma arrecadação, até que um dia se lembrem de aplicá-las noutra coisa, útilmente..."

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 Arco de S. Bento, ant. 1938, foto de Eduardo Portugal, in a.f. C.M.L.

Arco da rua de São Bento e palácio de São Bento

Arco da rua de São Bento e palácio de São Bento, 1908, foto de Machado & Souza, in a.f. C.M.L.

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Arco de S. Bento, 1937, foto de "O SÉCULO", in Arquivo Nacional da Torre do Tombo

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Arco de S. Bento, 1937, foto de "O SÉCULO", in Arquivo Nacional da Torre do Tombo

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Arco de S. Bento, 1937, foto de "O SÉCULO", in Arquivo Nacional da Torre do Tombo

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"Ilustração", N.º 291, 1 de Fev.. Nesta imagem pode-se observar, que parte do muro existente anteriormente, já se encontra parcialmente demolido, e a parte do aqueduto que estava ligada ao Arco também já se encontra demolida.

Rua Correia Garção e rua de São Bento vendo-se

Rua Correia Garção e rua de São Bento vendo-se o arco de São Bento e a escadaria para a Assembleia, 1938, foto de Eduardo Portugal, in a.f. C.M.L.

Pedras provenientes da demolição do Arco de São

Pedras provenientes da demolição do Arco de São Bento colocadas no terreno onde foi o Convento das Francesinhas, 1938, foto de Eduardo Portugal, in a.f. C.M.L.

Praça de Espanha ,  Arco de São Bento, 2000, fot

Arco de São Bento na Praça de Espanha, 2000, foto de Luís Pavão, in a.f. C.M.L.